PARECER EPISCOPAL SOBRE CASAMENTO

Bispo Sinvaldo Correa Coelho

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A. A IMW possui uma postura ética moral doutrinária tendo como base primordial para seus conceitos e fundamentos as Escrituras Sagradas que dão luz para entendimento e sabedoria de suas posturas:

1º) O casamento é uma instituição Divina, sendo o próprio Deus quem abençoou o primeiro enlace matrimonial,“27 E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. 29 E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. 30 E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. 31 E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto. Gn. 1.27-31

2º) O casamento constituído por Deus, (as Escrituras assim o declaram claramente), é uma bênção:

31 E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto. Gn. 1.31.

3º) O casamento foi instituído por Deus para fins de companheirismo, ajuda mútua, relacionamento, cumplicidade, procriação e satisfação prazerosa do espírito, da alma e do corpo:

“E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea. Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam.” – Gênesis 2:18-25

4º) O casamento foi prestigiado e abençoado pelo Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, quando no início Seu ministério operou o Seu primeiro milagre nas Bodas em Caná da Galiléia:

“E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus. E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas. E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes. Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo, E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.” – João 2:2-11

5º) O casamento é uma instituição Divina e que deve ser mantida em pureza e valorizada conforme nos orientam as Escrituras:

a) Deve ser reverenciado: “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará.” – Hebreus 13:4
b) Deve ser protegido a sua pureza: “Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente.” – Mateus 1:19
c) Santifica o cônjuge descrente através da vida e postura do cônjuge crente: “Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos.” – 1 Coríntios 7:14
d) Orienta aos que contraem matrimônio para que tenham uma postura condizente com a vida de casados: “Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa, e não deem ocasião ao adversário de maldizer;” – 1 Timóteo 5:14
e) Exige-se postura correta e condizente, daqueles que vivem a vida comum do lar, em santo matrimônio, pois privilégio impõe responsabilidade. “E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu.” – Mateus 22:12

6º) O casamento é uma instituição Divina tão especial que os apóstolos Paulo e João ensinaram que Cristo e a Igreja são uma analogia do casamento e que será definitivamente perpetuado com o evento das bodas do Cordeiro para toda a eternidade:

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,” – Efésios 5:25
“E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.” – Apocalipse 19:9

7º) O casamento religioso é parte importante de uma comunidade cristã:

a) Os noivos e suas famílias, como também, os membros desta comunidade vivem este momento com alegria e satisfação.
b) Os membros de nossas igrejas que desejarem casar-se com todos os privilégios de uma cerimônia religiosa, com seus rituais figurativos de vestes e votos, devem obedecer às determinações das regras estabelecidas pela denominação.
c) A quebra de uma sequência natural da realização deste compromisso pode acarretar em prejuízo para todos. “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus.” I Coríntios 10:32
“E assim não sejam vocês um meio de fazer tropeçar o vosso próximo, seja ele judeu, gentio ou cristão.” I Coríntios 10:32
d) Aqueles que não desejarem submeter-se as orientações da Igreja devem contentar-se com o casamento no civil e se desejarem a benção em uma cerimônia simples, que seja logo após o civil, antes de se tornarem uma só carne.

B. A IMW reconhece o casamento vigente na lei civil do país, desde que, este não fira os princípios éticos e morais defendidos pelas Sagradas Escrituras e de sua norma interna,

C. A IMW reconhece que apesar de dois irmãos em Cristo casarem no civil, a bênção definitiva e a confirmação do casamento com o selo do Espirito Santo são concedidas pelo ministro de Deus em casamento religioso efetuado à luz das Sagradas Escrituras que é a nossa regra de fé e prática. Portanto, o ato conjugal só deverá ser consumado após a bênção religiosa,

D. A IMW reconhece que deve seguir como sua regra nas questões legais os seguintes preceitos:

1º) Sagradas Escrituras,
2º) Estatuto, Regimento Interno e Apêndice (Regras complementares),
3º) Lei vigente no país,

E. A IMW reconhece que em casos específicos devido a omissão das normas acima descritas deve seguir os seguintes preceitos para chegar a uma resolução Bíblica e justa, utilizando métodos de integração da norma:

1º) Equidade (justiça no caso concreto),
2º) Analogia,
3º) Costume e/ou tradição (Modus operandi da Igreja em casos similares),
4º) Princípios gerais bíblicos/Direito,

F. Sendo assim, a IMW reconhece que a bênção divina é estritamente necessária, e fator preponderante e irrefutável para um casamento bem-sucedido, e deve ser colocada como fator mais importante e relevante em um casamento, (desde que, o mesmo esteja sendo realizado à luz dos preceitos das Sagradas Escrituras), e que a festa de casamento, convidados e demais fatores que são de ordem comemorativa são de aspectos sociais e relacionais, e de menor monta diante de Deus.

Portanto, diante análise de assuntos equivalentes tomamos como procedimento as seguintes resoluções:

1º) Após o casamento civil aconselha-se a fazer um casamento religioso mais simples, para que os noivos recebam todas as bênçãos Divinas advindas deste ato,
2º) Após o casamento civil e não havendo condições para realização do casamento religioso de modo pleno, conforme descrito no oficio, deve-se conceder uma bênção ao casal em cerimônia pública pelo ministro de Deus, no próprio cartório ou em lugar apropriado,
3º) Caso o casal deseje ardentemente uma cerimônia religiosa após um período longo após o casamento civil, já tendo sido consumado o ato sexual, que a mesma não seja feita com os aparatos de um casamento religioso e sim uma benção conforme descrita no item anterior, onde a nubente não estará com roupa de noiva e de véu e grinalda,
4º) Exceção será feita, caso os nubentes permaneçam em celibato até a data do casamento religioso, não importando o período entre o casamento civil e o religioso, dando total direito dos noivos se vestirem com trajes típicos de casamento religioso e direito a todo aparato conjugal.

G. É de competência do presbitério da Igreja local ter o discernimento do tempo em que vivemos para que orientem seus membros na manutenção da ordem e de posturas que são aceitáveis e condizentes com a fé cristã:

Art. 16. Presbitério é o órgão da igreja local para admissão, disciplina, desligamento e orientação espiritual dos membros. (Estatuto).
“Dos filhos de Issacar, homens que tinham a inteligência dos tempos, para saberem o que Israel devia fazer; os cabeças deles eram duzentos; e todos os seus irmãos seguiram o seu mandamento.” I Crônicas 12:32
“Da tribo de Issacar, 200 chefes que sabiam como Israel devia agir em qualquer circunstância. Comandavam todos os seus parentes;” I Crônicas 12:32

Esperamos com este parecer dirimir dúvidas, concedendo um balizamento bíblico equilibrado, sempre com a disposição a novas orientações conforme nos orientam as Sagradas Escrituras.

Gabinete Episcopal, Sede Regional, São Paulo, 28 de fevereiro de 2018.

Servindo ao Senhor, Seu Corpo e Seus Propósitos,
Proclamando Vida, Transformando Gerações!

Bispo Sinvaldo Corrêa Coelho
Superintendente Regional
Bp. SCC 201802.

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